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25 de abril de 2018 / Por / 2 Comentários

Sprinkler tem prazo de validade? Orientações sobre instalação, conservação e manutenção

Muitas dúvidas surgem quando o assunto é sprinkler e seus sistemas de proteção contra incêndio. Neste artigo responderemos algumas perguntas geradas por profissionais do setor, já a partir do momento de instalação do equipamento

Sprinkler tem prazo de validade? Orientações sobre instalação, conservação e manutenção

1. Introdução

Muitas dúvidas surgem quando o assunto é sprinkler e seus sistemas de proteção contra incêndio. Neste artigo responderemos algumas perguntas geradas por profissionais do setor, já a partir do momento de instalação do equipamento. São elas:

  • Sprinklers possuem tempo de vida útil ou prazo de validade?
  • Quais as orientações para instalar corretamente um sprinkler?
  • Qual a melhor forma de conservar um sprinkler?
  • É possível fazer alguma manutenção em sprinklers?
  • Posso reaproveitar os sprinklers que foram retirados de uma instalação?

2. Desenvolvimento

O objetivo de um sistema de sprinklers funcione a qualquer tempo e momento, para isto, a funcionalidade do sistema deverá ser garantida por bons processo de instalação, conservação e manutenção, associados à qualidade comprovada dos sprinklers. Discorreremos sobre cada um destes itens na sequência do trabalho.

2.1. Prazo de validade e vida útil do sprinkler

Respondendo à primeira questão: Por mais incrível que isto possa parecer, sprinklers não possuem prazo de validade determinado. É comum encontrar sprinklers instalados há décadas e que ainda estão em plenas condições de funcionamento. Por exemplo: Temos notícias de sprinklers, fabricados pela Skop, instalados há cerca de 30 anos em sistemas que ainda estão em pleno funcionamento. A norma brasileira chega a orientar sobre os casos onde existem “chuveiros automáticos em serviço há mais de 50 anos” (NBR10897, 2014, p.129). Contudo, esta observação não se aplica a todo e qualquer sprinkler! A garantia de “longevidade” de sprinklers está atrelada à certificação do produto e a origem do mesmo serem devidamente comprovadas; existem ainda outros fatores que descreveremos mais à frente.

Os sprinklers que possuem certificação reconhecidas nacional e internacionalmente, tais como: ABNT, FM e UL, passam por ensaios previstos em normas, que validam:

  • a resistência dos materiais utilizados na construção do sprinkler;
  • as condições de montagem e estanqueidade;
  • o correto funcionamento do equipamento.

A Norma Técnica brasileira de sprinklers prevê dezessete ensaios distribuídos nos três grupos listados acima.

“O sprinkler é um corpo em equilíbrio e como tal precisa ter harmonia em cada, e entre cada, um destes três aspectos. A vulnerabilidade de apenas um destes itens terá impacto nos demais” (Viana, 2017, p.35)

Além da necessidade de que a certificação e a origem sejam devidamente reconhecidas, outros três itens garantirão a funcionalidade não só do sprinkler, mas também de todo o sistema de prevenção, são eles: a correta instalação, as condições de conservação e a periodicidade de manutenção do sistema.

2.2. Instalação

É importante ressaltar que a instalação é o início de uma longa história e caso seja realizada de forma inadequada, poderá comprometer todo o restante do processo e consequentemente a segurança de vidas e patrimônios. A instalação deve ser realizada da forma correta, ou seja:

  • com as ferramentas adequadas: normalmente cada modelo de sprinkler possui uma chave de aperto específica para a sua instalação;
  • nunca utilizar chave grifo ou chave inglesa (também conhecida como chave de Engenheiro);
  • aplicando a tração mecânica apenas no parte sextavada do corpo do sprinkler, dedicada ao encaixe da chave de aperto;
  • utilizando o material correto de vedação da rosca;
  • instalar o sprinkler somente após a instalação definitiva da tubulação de água;
  • Nunca instalar o sprinkler na tubulação ainda desmontada e ao nível do chão.

Vale lembrar também que a instalação, não só do sprinkler, mas também dos demais componentes do sistema, deve ser executada conforme as orientações do fabricante, especificações do projeto executivo, que por sua vez, deve observar os requisitos mínimos descritos na Norma Técnica brasileira de projeto e instalação, normas técnicas internacionais de referência, bem como as orientações das autoridades locais, especialmente dos Corpos de Bombeiros estaduais.

2.3. Conservação

Não se deve limpar os sprinklers com sabão e água, amônia ou qualquer outro fluido de limpeza. A poeira acumulada deve ser retirada com uma escova macia ou uma suave aspiração.

É comum encontrar nos folders técnicos dos fabricantes de sprinklers, instruções sobre conservação, tais como: “Não recomendamos, em hipótese alguma, utilização de produtos detergentes e menos ainda anticorrosivos.”

Sendo assim, caso o sprinkler apresente depósito de material sobre o sistema de ativação (bulbo ou liga fusível) ou ainda sobre demais partes, cabe a avaliação para que seja definida a limpeza ou a substituição do sprinklers, pois não há como mensurar os impactos negativos na funcionalidade do dispositivo caso esta não conformidade não seja corrigida. É fato que qualquer material depositado (tinta, sujeira, gordura, …) sobre a superfície dos bulbos ou liga fusível, poderá afetar diretamente os pontos de ativação (temperatura nominal) dos mesmos.

Como o sprinkler desempenha um papel importantíssimo no conjunto do Sistema de Proteção, é altamente recomendado que seja substituído qualquer sprinkler que apresente não conformidades, tais como: dano visível, pintura diferente do padrão de fábrica, excesso de material depositado ou incrustado, entre outros. Dependendo do modelo do sprinkler, os custos podem ser bastante reduzidos, quando comparado aos transtornos que o funcionamento indevido ou, pior, o não funcionamento pode ocasionar.

A Norma de projeto e instalação de Sistemas de Proteção contra Incêndios por Chuveiros Automáticos, NBR ABNT 10897:2014, faz as seguintes citações:

citacao

2.4. Manutenção

Não existe procedimento de manutenção possível para o sprinkler propriamente dito, pois se trata de um equipamento pronto para o uso e sem partes móveis ou substituíveis. O que há então são os procedimentos de conservação citados no item 2.3 deste artigo, contudo, é necessária uma atenção especial aos demais componentes do sistema, passíveis de manutenção.

Uma das literaturas de referência para manutenção de Sistema de Prevenção é a NFPA 25 – Standard for the Inspection, Testing, and Maintenance of Water – Based Fire Protection Systems.

Algumas empresas do Brasil, já aplicam estas boas práticas da NFPA25. É importante confirmar se as empresas contratadas para serviços de manutenção adotam estes procedimentos. Uma outra possibilidade é contatar empresas vinculadas à Associação Brasileira de Sprinklers (ABSpk), que promove treinamentos e divulgação destes conteúdos.

Existe ainda a Norma NFPA 20 – Standard for the Installation of Stationary Pumps for Fire Protection, que orienta a correta manutenção das bombas do Sistema de proteção;

Para auxiliar neste processo a FM Approvals indica os procedimentos contidos no “Guia de bolso para inspeção, teste e manutenção de equipamentos de proteção contra incêndio”, identificado pela FM como “P0418_BRZ”, que, apesar de não ser uma norma, também orienta vários procedimentos de conservação e manutenção dos sistemas de prevenção. Entre eles:

  • Sprinklers e tubulação – Pág. 34 e 35;
  • Realização de investigação por lavagem – Pág. 47;
  • Bomba de incêndio – Pág. 52 a 67.

3. É permitido reaproveitar um sprinkler?

Não. O sprinkler é um dispositivo que passa por rigorosos testes de aprovação, exigem um correto procedimento de instalação e são destinados a uma única instalação.

A NFPA 13 (Standard for the installation of Sprinkler Systems) orienta que sprinklers “recondicionados”, (ou seja, retirados de uma instalação) não podem ser reaproveitados em instalações existentes ou novas. O requisito diz o seguinte: “6.1.2.2 Reconditioned sprinklers shall not be permitted to be utilized on any new or existing system.”

A norma brasileira de Requisitos para Projeto e Instalação, a NBR10.897:2014, ratifica esta questão com o seguinte texto: “5.2.1.1 – “Somente chuveiros automáticos não previamente utilizados devem ser instalados.”

Resumindo a questão, temos que o simples fato de desinstalar o sprinkler, compromete o reaproveitamento do mesmo, pois pode afetar alguma das oito partes do sprinkler e o equilíbrio construtivo do mesmo, pois “a vulnerabilidade de apenas uma destas partes, por menor que seja, comprometerá todo o conjunto.” (Viana, 2017, p.20).

Quando avaliamos o benefício de um sprinkler em relação a proteção que ele proporciona e avaliamos o valor percentual em relação ao empreendimento no qual ele está instalado, percebemos que o custo representa, apenas, cerca de 3% do total de todo o investimento de uma obra (RIZATTE, CBSPK II, 2016).

Vale ressaltar que a NFPA, norteia algumas normas brasileiras relacionadas aos sistemas de proteção por chuveiros automáticos, influenciando inclusive o texto das Instruções Técnicas 23 (IT-23) do Corpo de Bombeiros de São Paulo, um dos mais respeitados do Brasil. No item 2.2 da IT23, encontramos o seguinte registro: “Adotam-se a NBR 10897 – Sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos, com as adequações constantes no item 5 desta IT” e no item 3 do NBR 10897:2014, referências normativas, percebemos que a NFPA 13 é citação. Ou seja, a IT23 aponta para a NBR10897 que por sua vez direciona à NFPA13.

4. Conclusão

O sprinkler que possui certificação reconhecida e origem definida, tem sua longevidade garantida. Contudo, é necessário ressaltar a importância de que a instalação, conservação e manutenção do sistema sejam executados com base nas normas técnicas, instruções técnicas e orientação do fabricante, para que não só o sprinkler, mas o sistema como um todo, seja eficaz no momento exato da necessidade.

Ao longo do artigo também percebemos que é inviável o reaproveitamento de sprinklers retirados de instalações existentes, pois o risco de possíveis problemas futuros não é, nem de longe, comparado ao custo de substituição dos mesmos.

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10897: Sistema de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos – requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2014.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO. Sistemas de Chuveiros Automáticos – Instrução Técnica nº 23. Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública. São Paulo, 2018. 2p.

VIANA, B. M. G. SPRINKLERS NO BRASIL: Apresentação e análise da nova norma ABNT NBR16400:2015. Enfim uma sólida base técnica para a construção de um mercado confiável. IV Prêmio Instituto Sprinkler Brasil. São Paulo, 2017. 20p e 35p.

NFPA – NATIONAL FIRE PROTECTION ASSOCIATION. NFPA 13: Standard for the installation of sprinkler systems, Quincy, 2013. 34p.

RIZATTE, R.A.A. Evolução do Custo de Sistemas de Sprinklers em Depósitos. In: Congresso Brasileiro de Sprinklers, 2, 2016, Rio de Janeiro.

Autor: Equipe Suporte Skop

eBook: Sprinklers: O guia essencial
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2 Comentários

  • Stanislaw disse:

    Boa tarde! Parabéns pela matéria. Estou com uma dúvida. No que se refere ao não reaproveitamento dos sprinklers, como é tratado a situação dos sistemas a seco? Nessa situação que é normal o entupimento de alguns bicos, os mesmos podem ser retirados para uma ação de desobstrução e limpeza do sistema?

  • Carlos disse:

    Tenho esta dúvida: A norma fala que não se pode reutilizar o spk. Contudo ao levar o spk para teste, este tbm não poderá retornar para o sistema. Devem ser colocado novos no lugar?

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