Um projeto de sprinklers baseado na Norma ABNT NBR 10897:2020 vai muito além da especificação dos bicos de sprinklers. A norma exige uma série de componentes, como válvulas, dispositivos de alarme, manômetros, reservatórios, que garantem que o sistema funcione como um conjunto.
Ignorar qualquer um desses itens pode reprovar o projeto na aprovação do Corpo de Bombeiros ou, pior, comprometer a resposta do sistema em uma emergência real. Neste artigo, a Skop detalha alguns dos componentes obrigatórios segundo a NBR 10897 e a função de cada um.
Um sistema de sprinklers é uma cadeia de componentes interdependentes. Os bicos descarregam a água, mas dependem de uma rede de abastecimento confiável, de válvulas que controlam o fluxo, de dispositivos que sinalizam a ativação e de instrumentos que monitoram a pressão em tempo real.
A NBR 10897 estrutura essas exigências para que o sistema seja auditável, monitorável e operacional mesmo anos após a instalação. Conhecer cada item obrigatório é essencial tanto para o projetista, que precisa especificar corretamente, quanto para o gestor da edificação, responsável por manter o sistema em conformidade.
A NBR 10897 não deixa a especificação desses componentes a critério do projetista, cada um tem função normativa definida e impacto direto na aprovação do sistema. A seguir, detalhamos os principais itens exigidos, da válvula de governo e alarme aos detalhes de suportação da tubulação, com a função técnica de cada componente dentro do projeto.
Trata-se de um conjunto composto por válvula seccionadora, válvula de retenção e sistema de alarme de fluxo, manômetros, drenos e acessórios, instalado em cada coluna de alimentação (riser) de um sistema de chuveiros automáticos.

Ela isola a rede de sprinklers do abastecimento principal, permitindo manutenção sem interromper o restante da edificação, e aciona o alarme sempre que há fluxo de água, seja por ativação real de um bico, seja por vazamento. Em alguns casos, a VGA pode ser substituída por uma chave de fluxo, veja o que diz a Norma:
5.9.2 Para sistemas de tubulação molhada, os equipamentos de alarme devem ser constituídos de uma válvula de governo e alarme ou outro detector de fluxo.
LEMBRETE: É importante que a Válvula seccionadora, que compõe o conjunto da VGA, esteja sempre na posição aberta e travada. Válvulas fechadas são causas comuns de falha em sistemas de sprinklers, justamente porque impede que a água chegue aos bicos no momento da ativação.
Os manômetros monitoram a pressão da rede em pontos estratégicos, geralmente antes e depois da válvula de governo e alarme (VGA). Eles ajudam a identificar quedas de pressão que indicam vazamentos, válvulas parcialmente fechadas ou obstruções na tubulação antes que se tornem um problema crítico.
A NBR 10897 exige a instalação de manômetros em pontos específicos do projeto e determina que sejam verificados periodicamente. Um manômetro com leitura imprecisa deve ser substituído, pois compromete a capacidade de monitoramento do sistema.
Todo sistema de sprinklers deve possuir um mecanismo que sinalize, de forma audível e visível, quando há fluxo de água na rede. Esse alarme pode ser hidráulico, acionado diretamente pela pressão da água, ou elétrico, integrado ao sistema de detecção e alarme de incêndio da edificação.
A função desse componente é dupla: alertar os ocupantes do início de um princípio de incêndio e notificar a equipe responsável, permitindo resposta rápida mesmo quando não há ninguém monitorando o sistema continuamente.
Em edificações de maior porte, a NBR 10897 exige que a rede seja dividida em setores, cada um com sua própria válvula de controle. Essa setorização permite isolar uma área específica para manutenção ou reparo sem desligar a proteção do restante da edificação.
Cada válvula de controle setorial também deve ter um dispositivo de supervisão, que monitora sua posição e gera alerta caso seja fechada indevidamente, um dos pontos mais verificados em auditorias de seguro.
O sistema de sprinklers precisa de uma fonte de água confiável, com volume e pressão suficientes para sustentar a operação pelo tempo exigido pela classificação de risco da edificação. A NBR 10897 define os volumes mínimos de reserva de incêndio conforme o risco e a área protegida.
O reservatório deve ter monitoramento de nível, garantindo que qualquer redução de volume, seja por vazamento, evaporação ou uso indevido seja identificada antes que comprometa a autonomia do sistema.
Quando a pressão (altura manométrica) do sistema não é suficiente para atender as exigências hidráulicas do projeto, a bomba de incêndio se torna obrigatória. Ela deve ser dimensionada para a vazão e pressão exigidas pelo cálculo hidráulico do sistema, considerando o bico mais desfavorável.
A NBR 10897 exige testes periódicos de desempenho da bomba, incluindo verificação de partida automática, vazão nominal e pressão de descarga, itens frequentemente cobrados em vistorias e auditorias de seguradora.
Embora menos visível que os demais componentes, a suportação correta da tubulação é exigência normativa explícita. A NBR 10897 determina espaçamentos máximos entre suportes, de acordo com o diâmetro da tubulação, para evitar deformação, vibração excessiva ou rompimento de conexões em caso de movimentação sísmica ou impacto.
Tubulação mal suportada é um dos pontos mais comuns de reprovação em vistorias técnicas, justamente por ser frequentemente negligenciada durante a execução da obra. Para consultar este tema na Norma, basta consultar o requisito 5.10. São exemplos de suportes:
A norma também exige sinalização visível em válvulas, manômetros e pontos de inspeção, permitindo que qualquer profissional, não apenas quem projetou o sistema, identifique rapidamente cada componente durante uma manutenção ou emergência. Veja o que diz a Norma ABNT NBR 10897:2020:
“5.6.2 Todas as válvulas de teste, dreno e controle de vazão devem ser providas de placas de identificação de plástico rígido ou metal à prova de corrosão ou intempéries. Estas placas de identificação devem ser fixadas por meio de fios ou correntes resistentes à corrosão ou outro meio aprovado.”
Válvulas sem identificação clara são um risco operacional real: em uma situação de emergência, a demora para localizar a válvula correta pode custar minutos preciosos.
Conhecer os itens obrigatórios do projeto de sprinklers NBR 10897 é o primeiro passo para evitar retrabalho na aprovação e garantir que o sistema funcione como um conjunto coeso. Cada componente, da bomba de incêndio ao manômetro mais simples, tem uma função específica dentro da cadeia de proteção.
A Skop oferece suporte técnico para projetistas, instaladores e representantes/distribuidores na interpretação da norma e na especificação correta de cada componente do sistema. Fale com nossa equipe técnica.
É o componente que controla o fluxo de água para a rede de sprinklers e aciona o alarme sempre que há fluxo, seja por ativação real ou por vazamento. A norma exige que a válvula seccionadora que fica na entrada da VGA permaneça sempre aberta e travada durante a operação normal do sistema.
Eles monitoram a pressão da rede e ajudam na identificação de vazamentos, válvulas parcialmente fechadas ou obstruções antes que se tornem um problema crítico. A NBR 10897 exige sua instalação em pontos específicos do projeto e verificação periódica.
Não. A bomba só é obrigatória quando a pressão (altura manométrica) disponível no sistema não é suficiente para atender as exigências hidráulicas do cálculo do projeto, considerando o bico mais desfavorável. Contudo, na grande maioria dos sistemas implantados as bombas de incêndio são necessárias.
Elas permitem isolar uma área específica do sistema para manutenção ou reparo, sem desligar a proteção do restante da edificação. Cada válvula de controle setorial deve ter um dispositivo de supervisão que monitora sua posição.