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16 de outubro de 2018 / Por / 0 Comentário

Válvula de Governo e Alarme: noções gerais

As informações, aqui citadas, possuem caráter informativo, constituem apenas um breve apanhado e não esgotam o assunto relacionado às Válvulas de Governo e Alarme (VGA).

Válvula de Governo e Alarme: noções gerais

1- Introdução

Os chuveiros automáticos, ou sprinklers, possuem grande variação de modelos e são aplicados em diferentes sistemas; segundo as definições do Prof. Telmo Brentano (2015. p. 554) e João Carlos W. Junior (2015. p. 73, 74, 81 e 86), destacam-se os seguintes sistemas de proteção contra incêndios por chuveiros automáticos:

  • de Canalização Molhada;
  • de Canalização Seca;
  • de Pré-ação ou Ação Prévia;
  • de Dilúvio.

As válvulas de governo e alarme aplicam-se exclusivamente aos Sistemas de Canalização Molhada, como veremos abaixo.

2- Sistema de tubo (canalização) molhado e VGA

“O sistema de tubos molhados é o mais usado no mundo para instalação de sprinkler. Nesse tipo de sistema, a água está diretamente conectada ao bico que, sendo aberto, dá ao líquido aplicação imediata.” (Junior. 2015. p. 73). O professor Telmo Brentano complementa: “contém permanentemente água pressurizada em seu interior, […]. O Sistema de chuveiros automáticos de canalização molhada, é o mais simples e comum de todos os sistemas, […].  Tem uma grande restrição, que é o congelamento da água em suas canalizações para temperaturas próximas de 0ºC”. (2015. p. 554).

Dependendo das características do local onde será sistema de proteção contra incêndio, haverá a necessidade de instalação da VGA. A Norma de projeto e instalação, a ABNT NBR10897:2014, no item 3.21.8, define a válvula de governo e alarme como um “conjunto composto por válvula seccionadora, válvula de retenção e sistema de alarme de fluxo, manômetro, drenos e acessórios, instalado em cada coluna de alimentação (riser) de um sistema de chuveiros automáticos.” (2014. p. 7)

 

Partes da VGA

3- Como funciona uma VGA?

Conforme descrito no livro do pesquisador do IPT-USP, Deives Jr. de Paula (2014. p. 45), o funcionamento da VGA ocorre da seguinte forma: “Com a abertura de um ou mais chuveiros automáticos (1), no princípio de incêndio, a água será descarregada pelo orifício destes e a pressão na rede de distribuição diminuirá. Consequentemente, a pressão de água abaixo do obturador da VGA (2), por diferença de pressão, impele-o para cima, fornecendo água ao sistema e provocando a abertura da válvula auxiliar (3), dando passagem à água para o circuito de alarme, para acionamento do mesmo e enchimento da câmara de retardo (4). Quando a câmara de retardo está completa,a água flui para acionar o motor de alarme (5) e/ou o pressostato(6), que ativará uma campainha elétrica de alarme. O pressostato(6) pode ser conectado para ativar o alarme com circuitos normalmente abertos ou normalmente fechados. Para prevenir falsos alarmes, devido a falsas variações de pressão da fonte de abastecimento de água, a câmara de retardo acumula pequenas quantidades de água que fluem através do circuito de alarme nesses casos.”

 

Como funciona uma VGA

4- Informações complementares

Enquanto parte de um sistema, as VGAs estão associadas a outros equipamentos, tais como: válvulas de alívio, gongos, pressostatos, entre outros. Seguem algumas informações relevantes:

Válvulas de alívio – Todo o sistema de tubos molhados deve possuir, na válvula de governo ou a jusante dela, uma válvula de alívio não menor que ½’’, regulada para operar a 175 psi (12,1 bar) ou a 10 psi (0,7 bar), acima da pressão máxima dos sistema: o que for maior. Caso exista um reservatório de ar para absorver excessos de pressão, a válvula de alívio não é requerida.[…] Essa exigência serve para evitar excessos de pressão oriundos da variação de temperatura no sistema. Imagine um telhado de um galpão em que, durante o dia, as temperaturas se aproximam de 40 ºC e, à noite, são de 15 ºC. Com as altas temperaturas, a água se expande, resultando em um excesso de pressão. Coma válvula de alívio, temos certeza de que não haverá pressões acima de 175 psi (12,1 bar) no sistema.(Junior, J. C. W. 2015. p. 73)

A citação acima é respaldada na Norma de projeto e instalação, a ABNT NBR10897:2014, nos requisitos 6.1.2.1 e 6.1.2.2.

Para instalações no Estado de São Paulo, existem orientações nas instruções técnicas do corpo de bombeiros, relacionas às VGAs, nos requisitos 5.10 ao 5.12; destacamos aqui apenas a orientação prevista no requisito 5.12:

O gongo hidráulico, normalmente presente nas válvulas de governo e alarme, pode ser substituído pelo alarme elétrico,interligando a mesma ao sistema de alarme principal da edificação, de forma a avisar quando passar água no sistema a partir do funcionamento de um único chuveiro. (CBMESP, 2018, p.2)

5- Quais as principais características técnicas de uma VGA?

Para especificar adequadamente uma, é necessário definir as seguintes informações:

  • Diâmetro: 2½”, 3”, 4”, 6” e 8” (diâmetros mais comuns)
  • Tipo de conexão na entrada e saída: Ranhura (Groove) / Flange
  • Pressão máxima de trabalho: 175psi / 250psi / 300psi
  • Certificação: UL e/ou FM
  • Equipamentos opcionais: Gongo / Pressostato / Câmara de retardo

NOTAS:

  • Em geral cada modelo de VGA possui dimensões próprias. É necessário levar isso em consideração, em caso de necessidade de substituição de VGA danificadas;
  • É importante especificar tanto a conexão de entrada (montante), quanto a conexão de saída (jusante) da VGA;
  • Confirmar necessidade de especificar a cor.

6- Conclusão

As informações, aqui citadas, possuem caráter informativo, constituem apenas um breve apanhado e não esgotam o assunto relacionado às Válvulas de Governo e Alarme (VGA). Para além disto, faz-se necessária a consulta das Normas em vigência, bem como as instruções técnicas dos Corpos de Bombeiros Militares Estaduais (CBME) e demais orientações pertinentes.

Autor: Braulio Viana – Equipe de Suporte Técnico Skop

 

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10897: Sistema de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos – requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2014. p. 7, 28.

BRENTANO, T. A. Proteção contra incêndios no projeto de edificações. Porto Alegre – RS, 2014, p. 554.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO. Sistemas de Chuveiros Automáticos – Instrução Técnica nº 23. Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública. São Paulo, 2018. p.2.

PAULA, D. J. Aceitação de Sistemas de Sprinklers – Requisitos e critérios mínimos de avaliação para liberação do uso e operação de sistemas de sprinklers. Publicações do Prêmio Instituto Sprinkler Brasil. São Paulo, 2014. P. 45.

WOLLENTARSKI JR., J. C. Sprinklers: Conceitos básicos e dicas excelentes para profissionais: um estudo prático sobre a NFPA 13. Publicações do Prêmio Instituto Sprinkler Brasil. São Paulo, 2015. 73, 74, 81 e 86.

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