NOTÍCIAS & EVENTOS

4 de setembro de 2018 / Por / 0 Comentário

Uma questão de qualidade

Os especialistas do setor precisam estar atentos à legislação, pois o Brasil possui Norma Técnica que estabelece os requisitos mínimos para projeto e instalação de sprinklers.

Uma questão de qualidade

Uma grande lacuna existente no Brasil, nas mais diversas áreas profissionais, é causada pela falta de estatísticas atualizadas e confiáveis. No País, não é feita a divulgação, por exemplo, de dados oficiais de incêndios, o que dificulta a realização de planejamento e ações preventivas. Entretanto, os poucos números conhecidos já são suficientes para dar uma ideia da gravidade do problema.

De acordo com levantamento feito pelo Instituto Sprinkler Brasil (ISB), em 2017, aconteceram no País ao menos 724 incêndios estruturais. Esse tipo de acidente é assim chamado por atingir locais construídos, como instalações industriais e comerciais, depósitos, bibliotecas, escolas, hospitais e hotéis, entre outros (excluindo-se residências).

Sprinkler-Skop

Mercado predial brasileiro registra invasão de chuveiros automáticos que não contam com certificação de produto.

REPORTAGEM: PAULO MARTINS

O monitoramento diário para levantar o número de incêndios é baseado apenas nas notícias publicadas na Imprensa. Assim, a situação tende a ser bem mais grave, na prática. O próprio ISB estima que as estatísticas apuradas representam menos de 3% da quantidade real de ocorrências.

O fato é que os efeitos desses acidentes poderiam ser minimizados com o uso de sistemas que envolvam sprinklers (ou chuveiros automáticos). “Aliado ao serviço dos bombeiros,

o sprinkler é um sistema eficaz de combate a incêndio que antecipa a ação humana de forma imediata”, defende o ISB, em seu site.

Feitas essas considerações iniciais, o momento se mostra oportuno para uma análise do personagem central desta matéria, o sprinkler. Dada à importância dos sistemas de combate a incêndio como um todo, e desse componente, em particular, nunca é demais discutir aspectos como segurança. No Brasil, uma das situações que têm causado preocupação é a comercialização de sprinklers sem comprovação de qualidade. Mercados como o industrial e o de armazenagem até conseguem se defender bem dessa prática, pois normalmente são segurados por companhias internacionais – que tendem a ser bastante rigorosas quanto às condições prévias que impõem aos clientes ao assinar um contrato.

sprinklers que não funcionam

O grande problema está na área predial. Acredita-se que quase 30% desse mercado, que inclui edificações prediais, shoppings e prédios comerciais, é dominado por sprinklers sem certificação, ou seja, que provavelmente não passaram por ensaios. “Assim não se tem a garantia de que todos os sprinklers que venham de uma determinada fábrica irão atuar como precisam. Não quer dizer que nenhum irá funcionar. Vai funcionar, mas qual? Será que aquele que a pessoa precisaria em determinado momento irá funcionar? Quando se fala que um produto não tem qualidade, é porque não segue um padrão de conformidade”, analisa Felipe Decourt, diretor-executivo da Skop, fabricante brasileira do setor.

Mas afinal, qual a importância da certificação? Segundo a Skop, alguns modelos de sprinklers não certificados utilizam o zamac (liga metálica) na fabricação do corpo do produto, devido ao menor custo, em comparação à utilização do latão. O problema, aponta Felipe, é que o zamac não resiste quando submetido a uma temperatura de 600 graus Celsius, por exemplo. “Nenhuma norma internacional admite isso. Os ensaios são feitos a 800 graus Celsius. Se expor um sprinkler desses a essa temperatura ele derrete, deforma”, critica.

sprikler -1-

ABNT NBR 10897:2014 Os especialistas do setor precisam estar atentos à legislação,
pois o Brasil possui Norma Técnica que estabelece os requisitos mínimos para projeto e instalação de sprinklers.

O entupimento do sprinkler é mais um possível problema apontado pela Skop. Segundo a empresa, a maior parte dos produtos sem certificação usam O-Ring (anel) de borracha. A ação do tempo sobre a borracha pode derreter e ‘colar’ o obturador no corpo do sprinkler, fazendo com que o orifício de descarga de água fique obstruído.

Outro risco são eventuais falhas do produto. Como a resposta ao fogo deve acontecer em até 30 segundos, ter sprinklers que não funcionam ou operam fora dos padrões da Norma pode comprometer a segurança das pessoas e do patrimônio. Por outro lado, se um sprinkler for acionado sem a existência de incêndio, o local será molhado, causando estragos desnecessários e deixando o sistema inoperante, ou seja, sem proteção, até que tudo seja reiniciado da forma correta.

Vale lembrar que um dos motivos (talvez o principal) que levam os usuários a optarem pelo sprinkler sem certificação é o preço. Enquanto um produto sem comprovação de ensaios custa por volta de R$ 5, um dispositivo certificado, de marca reconhecida no mercado, pode custar entre R$ 15 e R$ 30.

Certificação de produtos

Para Felipe Decourt, um dos grandes problemas do mercado é a falta de uma legislação que estabeleça claramente um nível de qualidade para os bicos de sprinkler. Segundo o executivo, as determinações que existem estão “nas entrelinhas”. “Sempre fazemos a seguinte comparação: é como se a lei exigisse o uso do cinto de segurança, mas nada falasse da qualidade do cinto. Então, qualquer um poderia fabricar um cinto de papel ou de plástico, pela falta de determinação de qual é o padrão mínimo de qualidade. Isso é o que acontece no Brasil (na área de sprinkler).

FELIPE DECOURT – SKOP A certificação do sprinkler é uma forma de atestar que o produto passou pelos ensaios exigidos por norma técnica.

 

O País não tem legislação. Existem normas muito boas na área de projeto e instalação, por exemplo, mas nada se fala sobre a qualidade do sprinkler”, reclama o porta-voz da Skop.

A empresa reforça que, em se tratando de sprinklers, não existe um documento que possa ser considerado como única diretriz. Alguns apresentam diretrizes gerais sobre aspectos administrativos e legais, enquanto que outros trazem especificações técnicas dos equipamentos e da instalação.

chuveiro automatico

Mas, para a Skop, há um encadeamento nos documentos existentes que leva ao entendimento de que os sprinklers devem atender aos requisitos previstos na Norma Técnica de Produto, a ABNT NBR 16400:2018 – Chuveiros automáticos para controle e supressão de incêndios – Especificação e métodos de ensaio.

A referida norma estabelece o conjunto mínimo de requisitos de construção e ensaios laboratoriais a serem submetidos os sprinklers e, segundo a Skop, é utilizada pelas certificadoras como base para a certificação dos produtos em questão.

sprinklers

Exemplos de sprinklers que contam com certificação emitida por Organismo de Certificação de Produto.

Conforme o entendimento da Skop, precisariam atender integralmente aos 17 ensaios técnicos apontados na ABNT NBR 16400:2018 os sprinklers de cobertura padrão instalados nas edificações paulistas.

sprinklers-certificado

SEGURANÇA Aliado ao serviço dos bombeiros, o sprinkler é um sistema eficaz de combate a incêndio que antecipa a ação humana de forma imediata.

“Adotando como exemplo o Estado de São Paulo, temos que a legislação federal fará considerações objetivas de cunho legal e administrativo, porém, não tratará da questão técnica; a legislação federal apontará para a legislação estadual, que, por sua vez, apontará para o código do Corpo de Bombeiros, que tem como referência normativa a Norma Técnica de projeto e instalação; seguindo a sequência, vemos que a Norma Técnica de projeto e instalação indica a Norma de Produto como uma de suas referências normativas. Ou seja: quando falamos do produto sprinkler, todo o encadeamento legal é direcionado à Norma Técnica de Produto, pois esta possui a base técnica para a certificação do equipamento”, conclui a Skop, em artigo divulgado recentemente ao público.

Conforme complementa Felipe Decourt, durante uma fiscalização, não existe uma forma prática de os bombeiros ou fiscais comprovarem se um determinado sprinkler passou pelos ensaios estabelecidos por norma. “A única forma de atestar isso é se o sprinkler for certificado”, contrapõe.

skop-sprinklers

De acordo com o Instituto Sprinkler Brasil, os sprinklers certificados e utilizados de maneira correta são capazes de garantir mais segurança para as pessoas que estão em empreendimentos residenciais e comerciais. Para checar se um sprinkler é certificado ou não, o usuário pode consultar diretamente os sites dos organismos de certificação, como ABNT, UL e FM, por exemplo.

Créditos: 
Revista da Instalação

Ano 2 – Edição 28 – Julho 18

Reportagem: Paulo Martins

www.facebook.com/revistadainstalacao
www.revistadainstalacao.com.br

eBook: Sprinklers: O guia essencial
Compartilhe: 0

Deixe um comentário

BNDES
Reliable
ABNT
ABSpk
FM
UL
Assine nossa Newsletter: