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5 de fevereiro de 2013 / Por / 0 Comentário

Menos riscos, mais segurança, mais vidas

Consternados, perplexos, mas nem um pouco surpresos com o Incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, registramos nosso pesar e julgamos importante darmos um depoimento sobre o assunto.

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Consternados, perplexos, mas nem um pouco surpresos com o Incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, registramos nosso pesar e julgamos importante darmos um depoimento sobre o assunto.

Após uma semana do terrível acidente de Santa Maria a sociedade, perplexa, ainda busca explicações e chora a perda de seus jovens, que comemoravam, naquele local, o início de uma nova fase em suas vidas. Para a sociedade civil em geral pareceu ser um incidente isolado, mas nós, que trabalhamos,há anos, no setor, sabíamos ser uma tragédia anunciada.

O caso da Boate Kiss não é um caso isolado, ou uma exceção, mas, ao contrário, decorreu do que vem se passando no mercado brasileiro, que tem priorizado preço e, como consequência, vem utilizando produtos e projetos sem qualidade. Imaginem as terríveis repercussões para nosso País de um desastre como esse do Rio Grande do Sul em um estádio da Copa!

Não queremos, nessa mensagem, repetir as ótimas, consistentes e fundamentadas análises já feitas na mídia por profissionais de alto gabarito como Moacyr Duarte (UFRJ), Sérgio Ceccarelli (CSI), Salomão Almeida (ABSpk), Marcelo Lima (ISB), Tomina (IPT_USP), Jim Shannon (NFPA), dentre outros. Nem tampouco queremos apontar os culpados, pois para tal já existe um batalhão de pessoas trabalhando. Casos exemplares de punição de toda a cadeia envolvida em acidentes como o da boate Kiss já existem e podem ajudar no caso de Santa Maria.

Acreditamos, no entanto, que esse triste acidente pode contribuir, de forma consistente, para o fortalecimento do arcabouço legal e regulatório relativo à questão de incêndio em ambientes fechados (prédios, indústrias, residências, etc…).

A ABSpk – Associação Brasileira de Sprinklers, da qual a nossa Empresa, fabricante de sprinklers certificados pela ABNT há 30 anos, faz parte, iniciou um trabalho que poderá servir de exemplo para outros setores e que, efetivamente, poderá colaborar para o amadurecimento da infraestrutura de processos e soluções contra incêndio, envolvendo:

(a) o fortalecimento das normas nacionais, como resultado do trabalho desenvolvido por um grupo de estudo e da troca de informações e experiência com entidades internacionais, que já contam com um aparato normativo bem mais evoluído;

(b) utilização/aplicação padronizada dessas normas aprimoradas em todo território nacional, e não apenas em alguns estados, como se faz atualmente;

(c) padronização e elevação do nível dos procedimentos de auditoria, ou seja, da rigidez e qualidade na auditoria realizada nas empresas/fábricas pelos Órgãos Certificadores; e

(d) conscientização dos órgãos fiscalizadores, sociedade civil, grandes empresas, investidores e seguradoras sobre a questão de segurança contra incêndio ser tratada com mais severidade e qualidade.

Com a implantação dessas providências, as empresas prestadoras de serviços técnicos na área de proteção contra incêndio serão obrigadas a concorrer a partir de um nível de exigência e qualidade muito superior ao atual. A competição não se dará apenas pelo melhor preço, mas também com observância de paradigmas de qualidade na instalação, na operação e na manutenção dos sistemas. Com isso, ganharão o cliente, o investidor e o usuário dos locais protegidos.

Mostra-se essencial que os processos/serviços de manutenção dos sistemas de proteção ao incêndio tenham sua regulamentação aperfeiçoada e que sejam regulamentados, certificados e fiscalizados, pois pouco adianta investir em proteção técnica e não mantê-la em boas condições de funcionamento. Muitas interdições realizadas nas grandes cidades, nesta última semana, basearam-se apenas na documentação e fiscalização visual dos recintos. Portanto, não é difícil imaginar que os sistemas de proteção instalados nesses locais não funcionariam, se preciso fosse.

Esperamos que as autoridades, projetistas, prestadores de serviços, grandes clientes e pequenos consumidores compreendam que, como ocorre no setor aéreo, cada acidente de incêndio deve resultar na melhoria de procedimentos e/ou desenvolvimento de novas tecnologias que evitem a repetição do mesmo tipo de acidente no futuro.

Faz-se necessário modificar a deplorável situação das instalações no Brasil, como tem sido explicitado pela mídia e pelas fiscalizações da última semana.

Como está não pode continuar. Nós, brasileiros, somos todos capazes de alterar este cenário. BASTA QUERER E FAZER !!!

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