26/02/2026 Por Alisson Ricardo (Convidado especialista) / 0 comentários Favorito

BIM na Engenharia de Incêndio faz diferença? Entenda como o BIM transforma projetos de proteção contra incêndio

O BIM na Engenharia de Incêndio vai muito além de um projeto 3D: é uma metodologia que transforma a compatibilização, o dimensionamento e a execução de sistemas. Através da visão de quem acompanha o desenvolvimento de novas tecnologias há anos e vive o desafio diário entre o projeto e a obra, fica claro que a inteligência do modelo supera a simples visualização, garantindo uma precisão técnica que o desenho tradicional não alcança.

A grande diferença reside em como essa tecnologia melhora a integração dos sistemas, permitindo que a teoria do dimensionamento se aplique perfeitamente à realidade da execução.

Para quem enfrenta os obstáculos do canteiro de obras, o BIM surge como a ferramenta definitiva para eliminar erros de interferência e otimizar a performance dos sistemas de proteção, elevando o patamar de segurança e eficiência em cada etapa do processo. Saiba mais sobre o tema neste artigo!

O BIM realmente vale a pena na Engenharia de Incêndio?

O setor da Construção Civil nos últimos oito anos vem sofrendo uma transição imensa através do tal do BIM que tem sido adotado na área de projetos técnicos. Os tais projetos 3D.

A Engenharia de Incêndio não fica atrás, aliás é a que mais tem ganhado com a aplicação do BIM.

Mas afinal de contas, o BIM realmente vale a pena? A resposta resumida: sim. A menos resumida: considerando que a indústria automotiva no Brasil, adotou o 3D por volta de 1982, através do famoso Maya, com toda certeza, sim!

Projeto 3D e BIM são a mesma coisa?

Antes de tudo temos de separar alguns pontos e esclarecer outros, para entender melhor o que são os projetos 3D e o BIM: abrir a nossa mente.

eBook: Sprinklers: O guia essencial

Sim! Você leu certo! Projeto 3D é uma coisa e BIM é outra. É aqui que já começa a diferença e que gera muita confusão quando vão contratar os serviços que envolvem ambas as coisas e aqui vamos focar na Engenharia de Incêndio, mas praticamente tudo aqui dito, converta para a outra disciplina (hidrossanitário, estrutural, elétrica, entre tantos outros), que vai funcionar.

O que são projetos 3D aplicados à Engenharia de Incêndio?

Projetos em 3D são os projetos técnicos em si. É onde a engenharia de incêndio é aplicada e desenvolvida, com a análise de risco e respectivas avaliações técnicas, dimensionamentos, aplicabilidade das proteções de incêndio, exigências específicas dos Clientes e Seguradoras, entre outras demandas técnicas.

Quais problemas o projeto 3D ajuda a eliminar?

A diferença maior é que no 3D não há como negar uma interferência que esteja ocorrendo como, por exemplo: uma luminária de emergência atravessando o meio de uma viga, ou uma caixa de hidrante em cima de uma pia.

Assim, em um projeto 3D, já se eliminam diversos problemas em uma simples visualização tridimensional. Isso, por si só, já torna o projeto, no mínimo, “compatibilizado” com a arquitetura e até mesmo com o estrutural e o pessoal da obra agradece.

Mas o 3D não se limita a isso. Muito mais precisão, ajustes e adequações, dados técnicos e revisão de soluções, além de muito mais questões de engenharia de incêndio podem e são possíveis de serem realizadas.

O que é BIM e qual é sua função dentro dos projetos?

O BIM – Build Information Mannager (gerenciamento da informação da construção, na tradução livre) é exatamente isso: gerenciamento das informações, daquela construção, ou seja, BIM não faz projeto.

É um gestor, uma metodologia, um guia de processos para que os projetos técnicos, como o de Incêndio, sigam e apliquem, de forma que todos “casem” tanto os dados/informações, quanto os sistemas tridimensionais, simulando como a edificação será construída e como cada um irá “se ajeitar” nos espaços físicos.

Etapas do ciclo de vida do empreendimento englobados na metodologia BIM

Etapas do ciclo de vida do empreendimento englobados na metodologia BIM

Como o BIM melhora a compatibilização entre disciplinas?

Isso gera uma compatibilização quase que real (sim, quase)! Eliminando muitos problemas e desavenças entre as disciplinas, proporcionando soluções integradas/validadas/consentidas entre todos, ainda na fase de projetos.

Esse era o sonho da Construção Civil há décadas! E nenhuma metodologia funcionava de forma global e de consenso. Sempre tínhamos (e temos) diversas listas, check-lists, planilhas de tudo-que-é-coisinha-nenhuma, vários folders e prospectos, encadernações, gráficos de Gant, arquivos disso tudo que já foi dito. Mas é o BIM que conseguiu essa unicidade na Construção Civil.

O BIM depende obrigatoriamente de softwares específicos?

Como metodologia o BIM pode ser feito numa planilha eletrônica mega-ultra-power-das-galáxias, mas vai dar um trabalhão e não queremos isso.
É onde entram os softwares que possuem capacidade de englobar isso e os softwares de projetos 3D de Engenharia têm o BIM “embarcado”, quase que nativo, em si.

Exemplos de softwares englobados na metodologia BIM

Exemplos de softwares englobados na metodologia BIM

O que muda para o cliente ao receber um projeto BIM?

Assim, pode-se fazer o projeto 3D, com a aplicação da Engenharia de Incêndio e entregar o projeto para o Cliente, igual a qualquer projeto 2D, impresso, que está tudo certo.

Mas se o Cliente quer o potencial de todas as informações, gerando, por exemplo, listas por etapas de construção, por pavimento, por fase de execução naquele pavimento. O sonho de qualquer construtor! Mas que já é realidade.

Comparação entre um projeto em 3D e 2D

Comparação entre um projeto em 3D e 2D

O que realmente significa quando alguém diz que faz “projeto BIM”?

Então, quando alguém disser: “Eu faço projeto BIM”, leia-se: “eu faço projeto 3D, com aplicação em BIM”. E é isso que se tornou uma expressão do mercado da Construção Civil: projeto BIM. Mas agora sabemos a diferença e o que realmente significa, não estando incorreto dizer essa expressão.

Na prática, o BIM faz diferença na Engenharia de Incêndio?

Bacana tudo isso que foi dito, mas na Engenharia de Incêndio faz diferença? Qual o ganho?

Para começar, a cor vermelha dos equipamentos de incêndio. Num projeto BIM quando todas as disciplinas são “juntadas”, ou que uma a uma vai sendo comparada com outra, extintores, caixas de hidrantes, tubulações, acionadores manuais e bicos de sprinklers (ou chuveiros automáticos), literalmente e totalmente, se destacam e “explodem” na tela, sendo (quase) impossível, não percebê-los.

O BIM ajuda a evidenciar e resolver problemas técnicos antes da obra?

Além disso, questões técnicas antes ignoradas agora são possíveis, intencionalmente, de chamar a atenção ou simplesmente colocar algo “vermelhão” lá onde necessitamos que algo seja solucionado.

Citando como exemplo, uma tubulação de Ø150mm do sistema de sprinklers, que necessita atravessar todas as vigas metálicas de 400mm de sustentação de um telhado de um galpão industrial, onde, o estrutural deve avaliar se é possível fazer um furo em todas as vigas. No projeto BIM faz-se uma espécie de “parede falsa”, vermelha-brilhante de doer as vistas, de forma que tanto visual, quanto pelos métodos de “clash” (interferências), via gerar uma lista/relatório de incompatibilidade, obrigando o estrutural a ter que avaliar esses possíveis furos. Mas se o estrutural disser que não tem como fazer os furos… Sem problemas!

Baixamos o “grid” [tubulação], contornamos as vigas, ou acrescentamos mais ramais de bicos de SPK, infartamos o dono do galpão e a turma da obra, pelo custo maior. Mas aí entra outra coisa fabulosa do BIM: todos são chamados para sentar à mesa, regada de muito café, para discutir uma solução menos traumática pra todos. Sim, todo mundo senta pra encontrar a solução, aplicar e compatibilizar entre todos.

Exemplo de identificação de Clash Detection

Exemplo de identificação de Clash Detection

Vantagens do BIM na análise de telhados inclinados, obstruções e visualização global dos sistemas

Outro exemplo têm sido os telhados inclinados, que antes no 2D, por melhor que fossem os cortes, sempre dava aquela “azia”, para entender as estruturas das tesouras/treliças e do formato do telhado e saber se o teto é obstruído ou desobstruído, para dimensionar ramais planos ou inclinados, acompanhando a inclinação do telhado. Essa análise era feita em vários cortes, trecho a trecho.

No procedimento BIM a análise e visualização são globais/macro. Vemos a rede de bicos por completo, no ângulo que quiser, na vista que quiser, no local ou ponto de atenção que quiser, até plantando bananeira se quiser (mas não recomendo).

Pode-se fazer dezenas de cortes e vistas, pode “voar” pelo projeto 3D, você verá estruturas, as calhas elétricas, tirantes e demais equipamentos e sistemas, conjuntamente com a rede de sprinklers. E aquilo que não for percebido, aplica-se o clash, que irá informar onde algo está “atropelando” alguma coisa.

O BIM facilita projetos complexos como estruturas espaciais e centros logísticos?

E estruturas espaciais: o temor de qualquer Projetista de sistemas sprinklers? Como dissemos aqui em Minas: “Mamão com açúcar!”. Consegue-se identificar essas estruturas e com base no datasheet dos bicos da Skop, por exemplo, gera-se o “balão de influência” (vermelho pra variar) e estruturas espaciais passam a ser de “palitinhos de picolé”.

Porta-paletes mistos, com esteiras automáticas, dos e-Commerces? O grande terror do sprinkler, agora visualiza-se com facilidade onde vai dar B.O.

O Gêmeo Digital

Ao fim do projeto BIM, quando todas as disciplinas finalizam e se compatibilizam, temos o chamado: Gêmeo Digital (e não é utopia). É a edificação digitalmente pronta e com todas as questões sanadas em projeto e que poderá ser construída na vida real, igualzinha!

Com o mínimo de transtornos possíveis, com desperdício mínimo e com menos analgésicos na turma de obra. Não deveria ser zero problemas, você perguntaria. Depende, mas aí entra a aplicação BIM na obra, assunto extenso e polêmico, sendo um outro tema para uma outra oportunidade.

Exemplo genérico de Gêmeo Digital

Exemplo genérico de Gêmeo Digital

Simplificações e desafios da metodologia BIM no trabalho do engenheiro de incêndio

Finalizando um “tiquim” mais: tudo que foi dito acima parece fácil e simples, só que não. Projetos BIM necessitam de uma aplicação muito mais ampla, profunda e complexa da nossa Engenharia de Incêndio. Temos de ser mais detalhistas, atentar com centenas de informações, especificar tudo, girar e andar pelo projeto como um todo, analisar o resultado dos dados, entre muito mais questões.

Ou seja, nossa vida no Incêndio facilitou de um lado e chamou a atenção das demais disciplinas para nós, mais nos trouxe muito mais trabalho e mais estudo para exercermos a nossa profissão.

Como um próximo passo, eu recomendo que você leia também o artigo Compatibilização de sistemas de sprinklers aos demais sistemas: quais os conceitos básicos que você precisa saber?.

Sobre o autor:

Alisson Ricardo

Diretor técnico do Grupo Abadia Incêndio

Tel.: (31) 3581-8848 (também é WhatsApp)

E-mail: abadia@abadiaincendio.com.br

Site: https://www.abadiaincendio.com.br/

Instagram Empresa: @abadiaincendio

Instagram Pessoal: @alissonengopci

LinkedIn: linkedin.com/company/abadia-incêndio

eBook: Sprinklers: O guia essencial
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