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3 de janeiro de 2017 / Por / 0 Comentário

Proteção em xeque

Falta de obrigatoriedade de certificação permite que produtos sem comprovação de qualidade ganhem cada vez mais espaço no mercado nacional.

Revista da Instalacao

Essenciais para proteção da vida e preservação do patrimônio, os sprinklers constituem um mercado com grande potencial de crescimento, no Brasil. Classificado por norma como ‘chuveiro automático para combate e supressão de incêndio’, esse dispositivo tem a função de controlar o fogo no estágio inicial, até que os bombeiros cheguem para fazer o devido combate. O problema é que nem todos dão a devida importância a esse tipo de solução, o que pode ser comprovado pela ampla comercialização de produtos sem qualidade assegurada no País, expondo a população a riscos diversos. Estima-se que por volta de 60% dos sprinklers instalados nas edificações brasileiras atualmente não possuem certificação – que não é obrigatória. Conforme avaliam os especialistas, o aumento da segurança nas construções depende também de maiores cuidados com as etapas de projeto, instalação e manutenção desses sistemas.

Os sprinklers possuem três estruturas principais: corpo, defletor e sistema de tamponamento/retenção da água, cujo principal elemento é um sensor termossensível, fabricado em vidro ou liga metálica.

Os elementos termossensíveis são projetados para resistir a determinadas temperaturas. Caso tenha início um incêndio, e o calor do ambiente atinja a temperatura do componente sensível, o mesmo se quebra, liberando o sistema de retenção da água e acionando automaticamente o bombeamento. A água escoará com alta pressão em direção ao corpo e ao defletor, projetados para distribuir o líquido em uma determinada área, assegurando o controle do foco do incêndio. Se o fogo se propagar, mais bicos de sprinklers serão acionados até que as chamas sejam controladas e o Corpo de Bombeiros (ou brigada de incêndio) possa extingui-las através do uso de hidrantes ou extintores.

Segundo Felipe Decourt, diretor vice-presidente da ABSpk (Associação Brasileira de Sprinklers), incêndios que ocorrem em edificações que não possuem o sistema automático ganham muita potência entre um e quatro minutos, tornando o combate muito complicado e arriscado, mesmo para os bombeiros. “Isso significa que a variável ‘tempo’ é crucial nas estratégias de combate. O sprinkler tem o papel fundamental de reter/controlar o fogo, alargando esse tempo, para que os bombeiros possam chegar ao local do sinistro e combater a área afetada”, explica o executivo.

Além de reter o fogo a uma pequena área e com baixa potência até que os bombeiros consigam entrar em ação, o sprinkler é essencial também para manter a temperatura e as concentrações de oxigênio e de gases tóxicos em níveis suportáveis para que os ocupantes possam evacuar o ambiente. Outra vantagem é que essa é uma solução que permanece disponível durante as 24 horas do dia, inclusive em áreas inacessíveis ou de difícil acesso.

Entretanto, para que o sistema funcione perfeitamente quando requisitado, é necessário seguir normas e documentos de referência, tanto em relação aos equipamentos quanto aos serviços. “É imprescindível que o projeto, a instalação e a manutenção dos sprinklers sejam feitos por especialistas no assunto. Existem inúmeras empresas se aventurando no ramo, mas sem a capacitação adequada”, alerta Felipe Melo, sócio-diretor da ICS Engenharia.

Conforme detalha Felipe Decourt, durante a elaboração do projeto será necessário conhecer bem a arquitetura e a utilidade/aplicação do ambiente, incluindo o tipo de material que será armazenado, como será feito esse armazenamento e se haverá influência de movimentação do ar. Essas informações são importantes para se conhecer a carga de incêndio, sua evolução e distribuição. “Tendo o risco calculado e compreendido, o projetista desenhará
a solução adequando às dimensões do sistema, ou seja, dos componentes e equipamentos, para que o tempo e a forma de combate garantam o controle de um incêndio”, completa o porta-voz.

O instalador, por sua vez, deverá seguir o projeto à risca, primando sempre pela qualidade dos materiais, equipamentos e do comissionamento. “Qualquer desvio do projeto – muitas vezes necessário, por conta de adequações de
campo -, deve ser remetido para avaliação do projetista”, observa o dirigente da ABSpk.

Por fim, mas não menos importante, ao adquirir materiais e equipamentos de combate a incêndio, o responsável pela tarefa deve sempre optar por artigos que garantam o funcionamento qualificado do sistema a curto e longo prazos. Segundo Decourt, tal resultado só é possível se o instalador comprar materiais e equipamentos certificados por órgãos e empresas que são referência do setor. A ABSpk informa que as principais certificadoras que atuam na área no Brasil são ABNT, FM e UL.

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FM
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